Teatro

GRUPO CORPO – ESTREOU A COREOGRAFIA “GIRA” E APRESENTOU TAMBÉM A COREOGRAFIA “ BACH”

Nos dias 7 e 8 de outubro de 2017 – Sábado e domingo, o Grupo Corpo estreou a coreografia GIRA e também apresentou a corografia BACH no Teatro do SESI.

O espetáculo recebeu aproximadamente 2.600 pessoas nestes dois dias.

Sobre o GIRA

S.f. Bras [Do quimbundo njila, giro, do quicongonzila, caminho. Na umbanda, roda de fiéis em que se cultuam as entidades (‘seres espirituais’) do terreiro ou centro com cânticos, danças rituais, passes,oferendas etc.

Termo possivelmente originado dos ritos do candomblé, uma das matrizes da umbanda, onde as danças acontecem em círculo.Mesmo que jira, enjira, canjira, corruptelas de Njila, Pambunzila, Bombojira, alguns dos nomes relacionados a Exu nos candomblés angola-congo.

Os ritos da umbanda a mais cultuada das religiões nascidas no Brasil, resultado da fusão do candomblé com o catolicismo e o kardecismo, e patrimônio imaterial do Rio Janeiro desde novembro passado são a grande fonte de inspiração da estética cênica de Gira, a mais nova criação do GRUPO CORPO, fruto da parceria inédita com a banda paulistana Metá Metá, que assina a música original do espetáculo.

Mas é Exu princípio dinâmico, sem o qual tudo seria estático, mensageiro entre o mundo espiritual (Orun) e o mundo material (Aiye), Deus da expansão e da multiplicação infinita, senhor de todos os caminhos e aquele que faz o torto endireitar e o direito entortar, na cosmologia africana quem guia e atua como força propulsora ao espetáculo, que estreia em 4 de agosto, uma sexta-feira, no palco do Teatro Alfa, em São Paulo, onde fica em cartaz até o domingo, dia 13, partindo em seguida para uma gira por três capitais brasileiras: Rio de Janeiro (Theatro Municipal, 23 a 27 de agosto), Belo Horizonte (Palácio das Artes, 2 a 6 de setembro) e Porto Alegre (Teatro do SESI,7 e 8 de outubro).

Com coreografia de Rodrigo Pederneiras, cenografia de Paulo Pederneiras, iluminação de Paulo e Gabriel Pederneiras e figurinos de Freusa Zechmeister, o novo balése apresenta em programa duplo com Bach, de 1996, obra marcada também por uma intensa carga de religiosidade, que tem como ponto de partida uma criação livre de Marco Antônio Guimarães sobre a música do alemão Johann Sebastian Bache há exatos dez anos não é encenada no Brasil e voltará nesta apresentação.

Chão, céu, caos Conhecido por sua aproximação da cultura afro-brasileira através dos cultos religiosos (candomblé) de influência iorubá, fon e bantu, o Metá Metá (Dz três ao mesmo tempo dz, em iorubá) lançou a isca durante um dos primeiros encontros sobre a trilha, realizado em um estúdio em São Paulo, em outubro passado Ao conceber seu terceiro disco, o MM3, lançado em março daquele ano, o trio formado por Juçara Marçal (voz), Thiago França (sax) e Kiko Dinucci (guitarra) pretendia dedicar o trabalho, de cabo a rabo, ao mais humano dos orixás: Exu. Mas acabou por não fazê-lo. E vislumbrava agora, na oportunidade oferecida pelo CORPO, um excelente pretexto para consumar este anseio. Diante da força ancestral e do manancial infinito de movimentos envolvidos nos cultos afro-brasileiros, não foi preciso mais que um átimo para convencer os irmãos Pederneiras. Logo, Rodrigo e Paulo deram início às primeiras gestões para penetrar neste universo sem fim e absolutamente desconhecido para eles.

A literatura, claro, não deu conta do recado. Era preciso ir direto ao ponto. E, assim, tinha início um processo, digamos de Dz pesquisa de campo dz, inédito na história da companhia. Em reiteradas visitas a terreiros de candomblé e umbanda, coreógrafo, diretor artístico e bailarinos foram, por assim dizer, incorporando, sob uma perspectiva muito própria, os principais preceitos desses ritos, impulso primordial para a criação do movimento.

Por ser mais sincrética e brasileira, a umbanda foi se impondo mais que o candomblé, a que o Metá Metá é tão ligado.

E, como a Arte, por definição, dispensa a literalidade e impõe a cada rito a sua forma, Gira foi e moldando como uma transubstanciação poética da necessidade atávica do homem (chão) de se conectar com o divino (céu) ou simplesmente com o oculto (caos?).

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/08/1906867-em-gira-grupo-corpo-se-inspira-em-exu-e-danca-ao-som-de-meta-meta.shtml

GIRA [estreia]

coreografia: RODRIGO PEDERNEIRAS

música: METÁ METÁ

cenografia: PAULO PEDERNEIRAS

figurino: FREUSA ZECHMEISTER

iluminação: PAULO PEDERNEIRAS e GABRIEL PEDERNEIRAS

duração: 40 Minutos

Bach  (estreia 1996, Lyon)

Coreografia: Rodrigo Pederneiras

Música: Marco Antônio Guimarães  (sobre obra de J.S.Bach)

Cenografia: Fernando Velloso e Paulo Pederneiras

Figurinos: Freusa Zechmeister

Iluminação: Paulo Pederneiras

duração: 45 minutos

https://www.facebook.com/GrupoCorpo/